Categoria: adivinhar

  • IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros, diz estudo

    IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros, diz estudo

    É o que mostram dados de estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, a partir de dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.

    MAELI PRADO E LEONARDO VIECELI
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O uso da inteligência artificial generativa já mostra um impacto negativo na empregabilidade e na renda de jovens brasileiros mais propensos a trabalhar em profissões nas quais o uso da tecnologia é maior.

    É o que mostram dados de estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, a partir de dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.

    Os números revelam que brasileiros de 18 a 29 anos mais expostos a profissões nas quais o uso de IA é maior têm uma chance de emprego quase 5% menor do que tinham em um cenário pré-inteligência artificial.

    Para chegar aos resultados, o estudo analisou grupos de trabalhadores de perfis semelhantes entre 2022, logo antes do lançamento do ChatGPT, e 2025, com a diferença de que uma parte estava em profissões mais expostas à IA, como serviços de informação e financeiros, e outra parte não. O levantamento concluiu que, após o surgimento da IA, os trabalhadores mais expostos começaram a perder mais empregos que os demais.

    A renda desses trabalhadores mais expostos também foi quase 7% menor. Isso acontece, segundo o levantamento, porque a IA é excelente em executar as chamadas tarefas de entrada, como funções administrativas, de apoio e de serviços básicos, que costumam ser o primeiro passo na carreira de um recém-formado.

    Os empregos de entrada no mercado de trabalho, que a IA consegue fazer melhor e [de modo] mais barato, são os mais substituíveis”, afirma Duque.

    O trabalho aponta para um impacto muito pequeno da exposição à IA sobre a empregabilidade das demais faixas etárias. “O trabalhador mais velho, em geral, tem como função tomar decisões, não fazer os trabalhos mais básicos e burocráticos. E tomar decisões não é algo que se vê, ainda, na IA”, diz o pesquisador.

    Sobre a queda da renda, a avaliação de Duque é que a tecnologia está reduzindo o valor das tarefas mais padronizadas, ou seja, exatamente aquelas que são a porta de entrada para muitas carreiras administrativas.

    O pesquisador afirma que os números devem ser vistos com cautela, já que a janela de dados disponíveis ainda é curta e os dados sobre as profissões mais expostas à IA são preliminares. “Mas sem dúvida é um pouco assustador já ver um impacto tão forte da IA sobre a empregabilidade”, afirma o pesquisador. “Com o tempo, todos os tipos de trabalho, alguns mais do que outros, serão afetados.”

    O estudo de Duque aprofunda um levantamento feito pelos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti, do FGV Ibre, que, com base em uma metodologia da OIT (Organização Internacional do Trabalho), concluiu que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre do ano passado. Isso é equivalente a 29,6% da população ocupada.

    Desse total, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição, em especial os mais jovens, mais escolarizados, na região Sudeste e trabalhando no setor de serviços, com destaque para informação e comunicação e serviços financeiros.

    O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, diz que a inteligência artificial está automatizando “rotinas mais repetitivas” e exercidas em “posições iniciais” no mercado de trabalho.

    “Não é algo exclusivo do Brasil. Já vinha sendo observado principalmente no mercado de trabalho americano.”

    Pesquisa feita pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mostra que trabalhadores em início de carreira (entre 22 e 25 anos) em ocupações altamente expostas à IA, como desenvolvedores de software e representantes de atendimento ao cliente, sofreram declínios substanciais no emprego.

    A ocupação de jovens desenvolvedores de software, por exemplo, caiu quase 20% do final de 2022 até setembro de 2025. O levantamento mostra que, enquanto o emprego total na economia continuou a crescer de forma robusta, o crescimento para trabalhadores jovens estagnou desde o final de 2022.

    Imaizumi é autor de um estudo que, em maio de 2025, estimou o número de profissionais brasileiros expostos à IA sob diferentes níveis.

    Ao atualizar os dados para uma média do ano passado, ele calcula que 30,5% da população ocupada com trabalho no país possa ser afetada de alguma forma pela inteligência artificial e que uma parcela de 5,3% esteja sujeita a uma exposição maior, com alto risco de ter todas as suas tarefas automatizadas.

    Nesse grupo mais ameaçado, há grande presença de vagas no setor público, que contam com proteção maior do que na iniciativa privada, pondera Imaizumi.

    “Enxergo hoje um potencial muito grande de eficiência para o setor público. Como essas posições geralmente são mais protegidas, com pessoas concursadas, a gente pode ver uma migração de tarefas.”
    Para Duque, é difícil saber quais serão as consequências do impacto negativo da IA sobre o trabalho do grupo.

    “Se os jovens já começam no mercado de trabalho com maiores dificuldades, isso tem consequências imprevisíveis”, diz. “Eles já chegam com salários baixos e acumulam menos experiência do que no passado. Quando substituírem a antiga geração, muito provavelmente terão produtividade menor e menos poupança.”

    IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros, diz estudo

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Boticário dribla mercado fraco e encurta distância para a líder Natura

    Boticário dribla mercado fraco e encurta distância para a líder Natura

    O grupo ampliou sua participação no mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais para 15,5%, enquanto a Natura, controladora das marcas Natura e Avon, atingiu 15,7%, segundo dados da Euromonitor. A diferença entre as duas gigantes foi de 0,2 ponto porcentual, o menor nível já registrado, segundo análise do Bradesco BBI.

    Em meio à desaceleração do mercado de beleza no Brasil, o Grupo Boticário tem sustentado o crescimento e reduzido a distância para a líder Natura. Apoiada no uso de tecnologia e dados para integrar canais, a companhia atingiu R$ 38,1 bilhões em vendas ao consumidor (GMV) em 2025 e projeta manter a trajetória de expansão.

    O grupo ampliou sua participação no mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais para 15,5%, enquanto a Natura, controladora das marcas Natura e Avon, atingiu 15,7%, segundo dados da Euromonitor. A diferença entre as duas gigantes foi de 0,2 ponto porcentual, o menor nível já registrado, segundo análise do Bradesco BBI.

    A disputa se intensifica nas categorias mais relevantes do setor. Em cuidados com a pele e fragrâncias, que somam cerca de 40% do mercado, a Natura perdeu entre 0,8 e 1,5 ponto porcentual de participação, enquanto o Grupo Boticário avançou entre 0,7 e 1,2 ponto nos mesmos segmentos.

    A consolidação do programa de fidelidad Beautybox também contribuiu para o desempenho. A base ativa de clientes somou 26 milhões no ano passado, após unificar a experiência do consumidor entre as marcas O Boticário e Quem Disse, Berenice?. Os lançamentos também seguiram relevantes: 27% das vendas ao consumidor em 2025 vieram de produtos lançados há menos de um ano.

    O avanço da companhia paranaense ocorre em contraste com o momento da principal concorrente. A Natura registrou receita líquida de R$ 22,2 bilhões em 2025, queda de 5%, em meio à conclusão do processo de simplificação do grupo e à integração das operações da Natura e da Avon na América Latina.

    No setor como um todo, o crescimento perdeu ritmo. O mercado brasileiro de beleza movimentou R$ 187 bilhões em 2025, com alta de 6,8% no ano, abaixo da expansão de 10% registrada em 2024. O e-commerce, por sua vez, segue como o canal de maior crescimento, avançando 19% no período e já representa cerca de 12,7% do mercado.

    Para o presidente do grupo, Fernando Modé, o arrefecimento do consumo das famílias que saiu de alta de 5,1% em 2024 para 1,3% no ano passado ajuda a explicar a desaceleração do setor. \”Somos um setor bem resiliente, que cresce mais que os outros, mas não somos imunes ao ambiente macroeconômico\”, disse em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

    Tecnologia

    Para o CEO, a tecnologia é a sustentação do negócio. \”Sem essa evolução em tecnologia, a gente não conseguiria fazer nem metade do que fazemos hoje\”, afirmou. Ao longo dos últimos anos, a empresa internalizou o desenvolvimento de sistemas e integrou dados e canais, criando uma base única que conecta o e-commerce, as lojas físicas e a venda direta.

    Na prática, essa integração permite ao Grupo Boticário acompanhar o comportamento do consumidor entre diferentes canais e transformar essas informações em recomendações no momento da compra. Uma busca feita no aplicativo ou no site, por exemplo, pode orientar a atuação da consultora na loja física, que passa a ter acesso ao histórico e às preferências do cliente em tempo real, tornando a interação menos fragmentada e mais alinhada ao que o consumidor já demonstrou interesse.

    Um dos principais desdobramentos dessa infraestrutura tecnológica é o programa de fidelidade Beautybox. Lançado em 2024 e com investimento de R$ 35 milhões, o programa reúne benefícios como descontos e frete grátis, além elementos de gamificação para engajar os consumidores.

    Eficiência

    O grupo projeta crescimento em 2026 na mesma ordem de 2025 e afirma ter intensificado a busca por eficiência operacional. \”Estamos longe do ponto de chegada. Mas vamos evoluir sempre, fazendo mais do mesmo\”, disse Modé.

    A estratégia inclui a otimização do quadro de tecnologia, que passou de 3,5 mil para 2,8 mil profissionais, além do uso da base de consumidores para orientar lançamentos e da análise de dados, como algoritmos de geolocalização, para definir a abertura de lojas. Também envolve a integração de ecossistemas, com a marca Quem Disse, Berenice?, por exemplo, passando a ser vendida em 1,3 mil unidades de O Boticário em 2025.

    A companhia pretende manter o ritmo de abertura de cerca de 100 lojas por ano. Em 2025, a marca O Boticário inaugurou 113 unidades, alcançando cerca de 4 mil pontos em 16 países. A expansão é orientada por dados, com base no comportamento do consumidor e no potencial das regiões.

    Boticário dribla mercado fraco e encurta distância para a líder Natura

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Vorcaro já usava ciranda financeira ao comprar banco que virou o Master, mostra BC

    Vorcaro já usava ciranda financeira ao comprar banco que virou o Master, mostra BC

    A trama envolve a circulação de recursos entre empresas do próprio controlador, sem entrada real de recursos externos.

    NATHALIA GARCIA
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Daniel Vorcaro tentou comprar o Banco Máxima, instituição que deu origem ao Master, usando um embrião do esquema de ciranda financeira que hoje está sob investigação, mostra documento do Banco Central que propôs o veto à operação em fevereiro de 2019. A trama envolve a circulação de recursos entre empresas do próprio controlador, sem entrada real de recursos externos.

    Naquele momento, Vorcaro e outros pretendentes não conseguiram comprovar a origem dos recursos que seriam destinados a capitalizar o Máxima nem convencer o BC de que tinham capacidade econômica para assumir o controle do banco.

    Procurada desde terça-feira (14) para falar sobre os problemas na compra do Máxima, a defesa de Vorcaro na quis se manifestar.

    A estrutura usada pelo ex-banqueiro é detalhada por Sidnei Corrêa Marques, na época diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC e relator do processo. A reportagem teve acesso a dois documentos que se tornaram públicos via LAI (Lei de Acesso à Informação).

    O BC apontou que, conforme documentação apresentada, tanto os recursos usados para a compra das ações de Saul Sabbá (então controlador do Máxima), por R$ 40 milhões, quanto os aportes adicionais de capital feitos por Vorcaro no banco, de R$ 48,1 milhões e R$ 22,5 milhões, tiveram origem na distribuição de resultados da Viking Participações, empresa que ficou conhecida por ser dona de aeronaves que ele costumava usar. O que, por sua vez, decorreu da reavaliação de ativos -terrenos e fundos de investimento.

    Os técnicos do BC suspeitaram se tratar de “circularização” de recursos -prática em que o dinheiro apenas circula entre empresas ligadas, sem entrada real de novos recursos. Segundo investigações, essa manobra foi usada por Vorcaro no caso do Master.

    O diretor afirmou que a fiscalização do BC apurou que “expressiva parcela de recursos para realizar a aquisição das ações do atual controlador foram originados no próprio Banco Máxima, mediante transferências em sequência de recursos entre a instituição, empresas de propriedade de Daniel Vorcaro e fundos de investimento”.

    Questionado durante o processo, de acordo com o documento, Vorcaro não apresentou elementos que elucidassem a origem dos recursos de forma “clara e inequívoca”.

    Boa parte do detalhamento da ciranda financeira está tarjada no documento do BC. Nos trechos que não estão sob sigilo, a autarquia descreve que, em 2016, as demonstrações financeiras da Viking registravam investimentos no valor de R$ 112,5 milhões.

    Os documentos retratavam a participação da empresa em outras duas sociedades, a WWS e Superávit, que entre 2015 e 2016 registraram valorizações extraordinárias em imóveis (4.800% e 600%, respectivamente). O Banco Central identificou fragilidade nos laudos que embasavam esses resultados contábeis da Viking, pelo modo como o patrimônio dessas duas empresas foi calculado.

    Após a reavaliação dos ativos, a firma subscreveu, em 1º de setembro de 2017, aproximadamente 2,6 milhões de cotas do fundo Brazil Realty mediante a transferência de mais de 500 mil ações da WWS (54,67% do seu capital social).

    Naquele mesmo mês, a Viking fez uma nova subscrição de cotas do fundo (mais de 2,1 milhões), mediante a transferência das ações restantes da WWS.

    Vorcaro é investigado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por causa de operações do Brazil Realty, um fundo de investimento imobiliário fechado, por práticas como a superavaliação de ativos.

    “O Banco Máxima, presidido por Daniel Vorcaro, não apresentou qualquer documento ou informação que demonstre, de forma clara e inequívoca, a origem dos recursos utilizados na aquisição do controle e nos aumentos de capital da instituição, não estando satisfeitos, por conseguinte, os comandos normativos que exigem a demonstração da regular origem dos recursos”, disse o diretor do BC no voto.

    O escopo da operação para a compra do Máxima foi modificado ao longo do processo. Em 15 de setembro de 2017, Vorcaro compraria de Sabbá ações representativas de 56,87% do capital do banco, por R$ 40 milhões. Posteriormente, a forma de pagamento foi alterada para R$ 36 milhões em cotas do fundo Brazil Realty e R$ 4 milhões em espécie.

    Em 16 de janeiro de 2019, ficou acertado que entrariam outros participantes no negócio: Augusto Lima (10% de ações), Bruno Guedes (3%), Yan Tironi (3%), Alexandre Seguim (3%), Antonio Neto (3%), Felipe Simonsen (1,75%) e Armando Gallo (1,75%).

    O Banco Máxima enfrentava dificuldades financeiras e estava à beira de ser liquidado pelo BC.

    Um ex-integrante do Banco Central avalia que o dano ao sistema financeiro teria sido muito menor se a liquidação do Máxima tivesse ocorrido logo após a rejeição da compra por Vorcaro, em fevereiro de 2019 ou até antes, já que o tamanho do problema para o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) só foi crescendo.
    Do início das tratativas, em 2017, até a aprovação da compra do Máxima por Vorcaro, em outubro de 2019, a conta a ser paga pelo FGC quase triplicou e já estava próxima de R$ 4 bilhões. Hoje, as liquidações ligadas ao conglomerado Master (rebatizado em 2021) somam rombo de mais de R$ 50 bilhões no fundo.

    PLANO DE NEGÓCIOS REVISADO

    Após a rejeição, Vorcaro apresentou um plano de negócios revisado, com novos produtos, como a aquisição de recebíveis com lastro em LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e cartão consignado do Estado da Bahia. Além disso, ele sozinho aportou R$ 70 milhões no Máxima, com mais R$ 30 milhões dos outros sócios, entre março e junho de 2019.

    “A origem dos recursos foi regularmente demonstrada por todos os novos acionistas, conforme avaliado pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro”, disse o então diretor João Manoel Pinho de Mello no documento que recomendou a aprovação da compra oito meses depois da negativa. Em ambos os casos, as decisões foram tomadas pela diretoria colegiada por unanimidade.

    O BC entendeu que Vorcaro, na nova tentativa, demonstrou capacidade econômica para ser acionista controlador, o que foi crucial para a decisão favorável ao negócio.

    “No presente processo, foram feitas novas avaliações pelo Deorf [Departamento de Organização do Sistema Financeiro], com base na documentação encaminhada pelo interessado, em que se verificou a compatibilidade das projeções com os resultados das suas empresas até 31 de dezembro de 2018, os quais foram distribuídos parcialmente em 2019, demonstrando que o total de recursos esperados para este ano está realmente se concretizando”, complementou.

    Como mostrou a Folha de S. Paulo, no BC havia quem defendesse arrastar as tratativas. Mas pesou o fato de que Vorcaro passou a cumprir todos os requisitos objetivos analisados pelo órgão, o que poderia gerar problemas jurídicos à instituição se não fosse dada a aprovação.

    Vorcaro já usava ciranda financeira ao comprar banco que virou o Master, mostra BC

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Empresas de energia renováveis suspendem quase R$ 40 bi em investimentos e avaliam deixar Nordeste

    Empresas de energia renováveis suspendem quase R$ 40 bi em investimentos e avaliam deixar Nordeste

    O cenário se dá em razão de uma série de fatores. Além do lento crescimento da demanda por energia e o “curtailment” (corte forçado na geração), problemas já conhecidos, representantes do setor reclamam de uma recente elevação dos custos de operação, com a perda de vantagens fiscais e o aumento de exigências.

    JOÃO GABRIEL
    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Empresas do setor de energia renovável avaliam migrar do Nordeste, região de condições climáticas favoráveis à geração eólica e solar, para outros locais do Brasil, suspendendo investimentos próximos a R$ 38,8 bilhões entre 2025 e 2026.

    O cenário se dá em razão de uma série de fatores. Além do lento crescimento da demanda por energia e o “curtailment” (corte forçado na geração), problemas já conhecidos, representantes do setor reclamam de uma recente elevação dos custos de operação, com a perda de vantagens fiscais e o aumento de exigências.

    Integrantes do governo Lula (PT) ponderam que os benefícios fiscais concedidos no passado para impulsionar essas fontes alternativas não são mais necessários, uma vez que elas já ganharam espaço na matriz energética nacional. Com o mercado consolidado, dizem, agora é necessário ajustar a política tributária, para evitar que vantagens às energias eólicas e solares gerem um desequilíbrio no sistema energético nacional, encarecendo a conta ao consumidor.

    Procurado por meio de sua assessoria de imprensa desde o último dia 27 de março, o Ministério de Minas e Energia não se manifestou até a publicação deste texto.

    A maior parte dos empreendimentos de energia renovável está no Nordeste, região que é abundante em sol e vento. A pedido da reportagem, a Absolar e a Abeólica (associações que representam respectivamente as geradoras de energia solar e eólica) calcularam o impacto da crise no setor.

    A primeira entidade afirmou que, durante o ano de 2025, 141 usinas devolveram suas outorgas. Elas somariam R$ 18,9 bilhões.

    A Absolar acrescenta que, na comparação entre o projetado e o realizado no último ano, houve outros R$ 5,9 bilhões em investimentos frustrados.

    Já a Abeólica disse que a desaceleração do crescimento do setor gerou cerca de R$ 14 bi em investimentos suspensos.

    “Essa crise se agravou principalmente a partir de 2023, 2024 e o Nordeste, que recebe mais de 95% dos investimentos, está sofrendo. Nós temos inclusive fábricas no Nordeste demitindo e fechando por falta de investimento, de novos projetos”, afirma Elbia Gannoum, diretora-executiva da associação.

    A Casa dos Ventos, uma das principais empresas de renováveis do país, é uma das companhias que admite reduzir investimentos no Nordeste e recalcular sua rota para apostar em projetos em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.

    Procurada, a empresa informou que investe “tanto no Nordeste quanto em outras geografias.

    Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul surgem como alternativas, pois, apesar de não terem condições climáticas tão favoráveis quanto as do Nordeste, estão mais próximos dos polos consumidores.

    O aumento do custo de geração tem explicação em dois dispositivos aprovados em 2025, na Medida Provisória 1304. Esse texto nasceu da pretensão do governo em reorganizar o setor elétrico, que acabou frustrada pela força dos lobbies no Congresso.

    A medida criou dispositivos para impulsionar o setor de baterias, com o objetivo de resolver o curtailment.

    Esse corte forçado de geração ocorre porque a quantidade produzida por fontes renováveis varia de acordo com o vento e o sol. Em momentos de pico, é necessário tirar essas usinas da tomada para evitar uma sobrecarga que pode colapsar a rede nacional.

    A medida, porém, traz prejuízo a essas usinas. Como mostrou a Folha de S. Paulo, o país hoje desperdiça o equivalente a uma usina de Belo Monte em razão do curtailment.

    Uma das formas mais eficazes de resolver o problema é usando baterias para guardar o excesso de energia gerado nas horas de pico para ser consumido quando o consumo aumenta.

    A medida provisória estabeleceu que apenas podem ter acesso ao Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), que dá desconto de impostos a usinas de geração solar e eólica, as que sejam integradas a sistemas de armazenamento.

    Na prática, as entidades reclamam que isso limitou o poder de investimento de algumas empresas.

    “O texto ocasionou um retrocesso, criando falta de isonomia para a fonte solar frente a outras tecnologias, ao restringir o acesso ao Reidi. Este tipo de requisito e limitação não existe para nenhuma outra fonte no Brasil”, afirmou a entidade.

    Outro dispositivo criticado é o repasse dos custos da reserva de capacidade para os novos empreendimentos. Essa reserva é a contratação de usinas para serem acionadas em momentos de baixa produção, mas alta demanda. Como as energias renováveis são intermitentes (não geram todo o tempo), há necessidade de contratar mais geradores de reserva.

    A exigência imposta a novos empreendimentos, segundo a entidade, encarece o custo, desestimula novos investimentos e “pode pressionar economicamente os projetos de geração renovável”.

    Além disso, as entidades se queixam que a Aneel aprovou, em 2022, duas resoluções que aumentam a taxa a ser paga pelas geradoras de energia à medida que elas estão mais distantes dos principais polos consumidores do país, como o Sul e o Sudeste.

    A Absolar avalia que isso “aumentou os custos de uso da rede para usinas situadas longe dos centros de carga, especialmente no Norte e Nordeste” e “pode deslocar os projetos fotovoltaicos”, o que já está acontecendo.

    “Os atos normativos em questão foram resultado de mais de cinco anos de debate, e após aprovação, tiveram seus efeitos e aplicação modulada de forma a trazer previsibilidade e adaptabilidade dos agentes”, rebate a Aneel.

    Dada a insatisfação do setor e sua capacidade de mobilização de parlamentares no Congresso, há, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, um projeto para derrubar essas resoluções.

    Representantes das renováveis afirmam ainda que o Executivo tem demorado para realizar o leilão de contratação de baterias, que poderia resolver o problema do curtailment e reduzir o prejuízo às usinas.

    Reclamam que, ao invés disso, foi feito um leilão para reserva de capacidade cuja maior parte dos vencedores é composta por empresas de geração a gás e a carvão, combustíveis fósseis poluentes.

    “A gente precisa realmente ter uma solução porque, do contrário, vamos perder oportunidade de investir num país que tem uma grande potencialidade diante da transição energética. A situação de fato é preocupante”, diz Elbia.

    Há uma avaliação geral de que a chegada de data centers poderia impulsionar o setor de energia, se abastecidos com renováveis, pois consomem quantidades enormes de eletricidade -por outro lado, são criticados por exigir muita água.

    A criação de um programa nacional para esses empreendimentos, porém, está travado no Congresso Nacional.

    Empresas de energia renováveis suspendem quase R$ 40 bi em investimentos e avaliam deixar Nordeste

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR

    Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR

    Quem não foi obrigado a declarar em 2025 e, de acordo com cálculos da Receita Federal, teve direito à restituição de até R$ 1.000, poderá receber o dinheiro de volta em conta via Pix em um lote a ser pago no dia 15 de julho deste ano. Porém, para isso, há algumas exigências.

    Uma das maiores novidades da declaração do Imposto de Renda de 2026 vai impactar, curiosamente, pessoas que não prestaram contas ao fisco no ano passado.

    Trata-se da restituição automática, chamada de cashback pela própria Receita Federal. 

    Quem não foi obrigado a declarar em 2025 e, de acordo com cálculos da Receita Federal, teve direito à restituição de até R$ 1.000, poderá receber o dinheiro de volta em conta via Pix em um lote a ser pago no dia 15 de julho deste ano. Porém, para isso, há algumas exigências.

     

    • Estar com o CPF em situação regular (sem dívida ou outra pendência)
    • Estar com dados bancários atualiados, como chave Pix vinculada ao CPF
    • Não ter restrição junto à Receita Federal

    A Receita Federal estima que 4 milhões de brasileiros deverão receber a restituição automática e que o valor médio de recebimento será de R$ 125.

    >> Ouça na Radioagência Nacional

    Como saber se você está nesta lista? 

    O contribuinte será avisado pelos canais oficiais da Receita Federal, como o aplicativo Meu Imposto de Renda, portal do e-CAC, portal do contribuinte ou até mesmo no site da Receita Federal (na aba consulta pública das restituições).

    “Caso o contribuinte cheque que tem restituição e a Receita não tenha feito essa inclusão na base do lote residual, ele pode entrar com um recurso demonstrando que ele tinha direito, pelo e-Processo da Receita Federal, e buscar esse valor para ele de volta”, explica o vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro, Edilson Júnior.

    É importante destacar que, na realidade, essa restituição se refere ao ano-calendário de 2024, ou seja, a declaração do Imposto de Renda de 2025.

    Eventuais valores relativos ao ano-calendário de 2025 e à declaração de 2026 só serão pagos no ano que vem.

    Edilson Júnior alerta que vale a pena o contribuinte entregar a declaração deste ano, mesmo sabendo que terá direito ao cashback não sendo obrigado a declarar. 

    Com certeza, porque quando você declara, você antecipa. Quem fez a declaração em 2025 recebeu, no ano passado mesmo, a restituição, e não só agora com o cashback. Ou seja, você deve fazer a declaração mesmo sem estar obrigado para ter esse dinheiro de volta”.

    O prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda vai até 29 de maio deste ano.

    Qual é a ordem de recebimento da restituição do IRPF?

    A Receita Federal estima que cerca de 23 milhões de contribuintes devem receber a restituição neste ano. Em 2026 serão quatro lotes, pagos nos dias:

    • 29 de maio
    • 30 de junho
    • 31 de julho
    • 28 de agosto

    De acordo com a Receita Federal, 80% dos contribuintes devem ser restituídos nos dois primeiros lotes. A expectativa é de que até junho o dinheiro já esteja na conta.

    Como é a lista de prioridades nas restituições?

    Existem grupos prioritários para receber a restituição do Imposto de Renda: 

    • idosos com 80 anos ou mais;
    • idosos a partir de 60 anos, pessoas com deficiência ou doença grave;
    • professores cuja maior fonte de renda seja o magistério.

    Depois desses grupos, passam a ter prioridade os contribuintes que utilizarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição via Pix, com chave vinculada ao CPF.

    Como saber exatamente a data em que vai receber a restituição?

    É só consultar via internet, na página da Receita Federal, no aplicativo ou diretamente no site www.restituicao.receita.fazenda.gov.br.

    O contribuinte precisa informar o CPF e a data de nascimento.

    Mas saiba que, enquanto a declaração estiver na malha fina, não tem pagamento de restituição.

    “A restituição do imposto de renda só pode ser creditada em conta corrente, conta poupança ou conta de pagamento pertencente ao CPF do titular da declaração, ou via Pix, desde que a chave seja o CPF do titular da declaração”, alerta o professor do Centro Universitário UDF, Deypson Carvalho.

    Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Preços do petróleo devem seguir em alta volatilidade mesmo com reabertura de estreito de Hormuz

    Preços do petróleo devem seguir em alta volatilidade mesmo com reabertura de estreito de Hormuz

    Para analistas, as incertezas nas negociações entre Washington e Teerã, além das dificuldades para normalizar o fluxo pela via -por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito-, tendem a manter a volatilidade nas cotações da commodity.

    FERNANDO NARAZAKI E MATHEUS DOS SANTOS
    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Mesmo com a reabertura do estreito de Hormuz, anunciada pelo Irã nesta sexta-feira (17), os preços do petróleo devem seguir pressionados por meses.

    Para analistas, as incertezas nas negociações entre Washington e Teerã, além das dificuldades para normalizar o fluxo pela via -por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito-, tendem a manter a volatilidade nas cotações da commodity.

    Ainda assim, o anúncio do Irã derrubou os preços nesta sexta, levando o barril a cair para a casa dos US$ 86, no menor nível em mais de um mês. O preço do Brent, referência internacional, com vencimento em junho deste ano fechou o dia a US$ 91,57, menor valor desde 10 de março, com queda de 7,87%.

    O Ministério de Relações Exteriores do Irã anunciou nesta manhã a reabertura do trânsito marítimo por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, mas limitou a condição a navios que tenham autorização iraniana, o que não é aceito pelos EUA.

    “A passagem de todos os navios comerciais pelo estreito de Hormuz foi declarada totalmente aberta para o período restante do cessar-fogo”, afirmou Abbas Araghchi, chanceler do Irã, em post na rede social X.

    Segundo um alto funcionário do regime iraniano ouvido pela agência de notícias Reuters, todos os navios comerciais, incluindo embarcações norte-americanas, podem navegar pelo estreito, embora seus planos precisem ser coordenados com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

    Apesar de o Irã ter anunciado a reabertura, ela ocorre em condições muito específicas e está sujeita ao pagamento de taxas. Além disso, os EUA não encerraram o bloqueio marítimo imposto ao estreito.

    A decisão do Irã foi elogiada por Donald Trump. “OBRIGADO!”, escreveu o presidente norte-americano em sua plataforma Truth Social.

    Analistas no setor afirmaram que a medida deve ser tratada com cautela e que o tráfego marítimo deve demorar a ser retomado.

    “A abertura do estreito de Hormuz é um importante passo para normalizar o trânsito pela via navegável. Mas a reabertura é limitada em escopo”, afirmou James Reilly, economista sênior de mercados da Capital Economics.

    Para o diretor global de macroeconomia do ING, Carsten Brzeski, a reabertura ajudará a reduzir o preço da commodity nos próximos dias, mas a dúvida é quando as empresas de transporte marítimo vão retomar o fluxo. “Seguradoras e armadores ainda podem hesitar em enviar navios, o que significa que, mesmo que teoricamente aberto, o tráfego só aumentará gradualmente”, analisou.

    A Hapag-Lloyd, uma das maiores empresas do setor, disse estar avaliando a situação. “Por enquanto, ainda estamos evitando passar pelo estreito. Provavelmente passaremos, mas ainda é cedo para confirmar”, declarou um porta-voz da empresa à Reuters.

    De acordo com empresas do setor, cerca de 200 navios passaram pelo estreito desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra, sendo que o tráfego antes do conflito era, em média, de 140 embarcações por dia.

    Nesta sexta-feira, a empresa de dados marítimos Kpler informou que três navios-petroleiros do Irã deixaram o golfo Pérsico pelo estreito de Hormuz na última quarta-feira (15). As embarcações foram as primeiras sob sanções a atravessar o local desde que os EUA passaram a bloquear o tráfego na segunda-feira (13).

    Nenhum navio-petroleiro iraniano havia saído do golfo pelo estreito com uma carga de petróleo desde 10 de abril, de acordo com a Kpler. Dados da empresa indicam que cerca de 900 navios ficaram retidos no Golfo Pérsico ao longo da guerra.

    A queda nas cotações do petróleo pressionou a Bolsa brasileira, que recuou 0,55%, a 195.733 pontos, nesta sexta-feira. O dólar caiu 0,18%, cotado a R$ 4,983.
    As ações preferenciais da Petrobras, que garantem prioridade no recebimento de dividendos, caíram 4,85%. Na mínima, os papéis chegaram a recuar 7,6%.
    Outras empresas do bloco petrolífero também registraram quedas. Prio e PetroRecôncavo caíram mais de 4% cada; Brava, 6%.

    Analistas dizem que a reabertura definitiva do estreito deve continuar pressionando as ações de petroleiras brasileiras, mas advertem que o quadro de incerteza dificulta previsões.

    Bruno Cordeiro, especialista em energia da StoneX, destaca que o cenário de incerteza persiste. “A retomada dos fluxos de petróleo e derivados depende de condições de segurança e de sinalizações mais firmes.”

    Ele também aponta indefinições nas negociações entre Washington e Teerã. “Os próximos dias serão determinantes para entender a extensão dessa decisão do Irã.”

    No caso específico do Brasil, Cordeiro avalia que uma reabertura definitiva tende a pressionar os preços do petróleo e impactar as receitas de exportação -o que pode pesar sobre os papéis de empresas do setor.

    “A retomada do fluxo no estreito, contudo, tende a ser gradual. A normalização logística e produtiva no golfo Pérsico pode levar meses, o que tende a manter os preços do petróleo valorizados no curto prazo”, afirma.

    Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, vê uma melhora global do humor com a reabertura do estreito, mas ressalta que o momento ainda exige precaução.

    “As falas de Donald Trump sobre o bloqueio e a tensão persistente com o Irã mantêm o mercado em modo de cautela, reduzindo a confiança de que a trégua seja duradoura”, afirma.

    Algo similar foi destacado por André Valério, economista sênior do Inter. “Apesar de o Irã ter anunciado a reabertura do estreito, ela ocorre em condições muito específicas. […] Uma normalização do fluxo ainda parece distante e podemos ver o preço do petróleo pressionado devido às condições adversas de oferta”, diz.

    BOLSAS CAEM NA ÁSIA E SOBEM NA EUROPA COM REABERTURA

    O anúncio também impactou Bolsas globais. As Bolsas da Europa registram alta nesta sexta-feira, enquanto a maioria dos mercados na Ásia fechou em baixa. O índice CSI300, que reúne as principais empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,17%, e o SSEC, em Xangai, devalorizou 0,1%. As Bolsas de Tóquio (-1,75%), Hong Kong (-0,89%) e Seul (-0,55%) também sofreram perdas.
    Já na Europa, o índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em alta de 1,6%, em uma tendência que foi repetida em Frankfurt (2,25%), Londres (0,73%), Paris (1,97%), Madri (2,18%) e Milão (1,75%). Nos EUA, a Dow Jones fechou em alta de 1,79%, seguida por Nasdaq (1,52%) e S&P 500 (1,20%).

    Preços do petróleo devem seguir em alta volatilidade mesmo com reabertura de estreito de Hormuz

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Bancos centrais do mundo podem ter de rever posição de cortar juros, diz Durigan

    Bancos centrais do mundo podem ter de rever posição de cortar juros, diz Durigan

    Ministro afirma que conflito pressiona inflação e pode levar bancos centrais a rever cortes; Brasil se diz em posição mais favorável

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os bancos centrais do mundo todo podem ser obrigados a rever a posição de cortar juros diante dos efeitos da guerra dos Estados Unidos com o Irã. Segundo ele, o Brasil liderou a conversa sobre como fazer resposta temporária e focada na guerra durante as reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que ocorreram ao longo desta semana, em Washington, nos EUA.

    “O Brasil está em boa posição comparado com países da Ásia e África”, disse o ministro brasileiro, em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 17.

    Durigan afirmou que é importante tratar das questões relacionadas à guerra com o Irã, mas também de assuntos estruturais em agendas globais.

    Um dos temas citados por ele foi o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). “Tivemos boas sinalizações sobre importância do TFFF de Espanha, China e outros países”, comentou Durigan.

    Venezuela

    O ministro da Fazenda destacou a importância da retomada das negociações entre o FMI e o Banco Mundial com a Venezuela e disse que a expectativa é “grande”.

    “Para a América Latina e o Caribe, é importante que a Venezuela vire a página, se desenvolva, tenha de volta assento e passe a tratar, seja com os bancos de Bretton Woods, seja com outros, como o CAF, como o BID”, afirmou ele. “A expectativa é grande para que a Venezuela possa retomar o caminho de desenvolvimento”, acrescentou.

    A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, anunciou na quinta-feira, dia 16, que o organismo internacional está agora negociando com o governo da Venezuela, sob a administração da presidente interina Delcy Rodríguez.

    O país é membro do Fundo desde dezembro de 1946, mas as conversas foram suspensas em março de 2019 devido a problemas de reconhecimento governamental, de acordo com o FMI.

    Bancos centrais do mundo podem ter de rever posição de cortar juros, diz Durigan

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Real é a moeda que mais valoriza em 2026; Dólar em queda

    Real é a moeda que mais valoriza em 2026; Dólar em queda

    O valor de uma moeda é um indicador importante da saúde econômica de um país

    O real brasileiro foi a moeda que mais valorizou face ao dólar em 2026. A alta de quase 11% do real desde o início do ano é o melhor desempenho de qualquer moeda de dimensão relevante comparado ao dólar, de acordo com o EuroNews.

    O dólar abaixo de R$ 5 (R$ 4,99) pela primeira vez em mais de dois anos é resultado de um enfraquecimento global, especialmente do abrandamento da economia americana, mas encontra no Brasil um ambiente que amplia esse efeito: juros elevados e fluxo externo favorecido pelo cenário das commodities, segundo a Forbes.

    A taxa diretora Selic do Brasil está nos 14,75% . O segundo fator para essa valorização são as matérias-primas. O Brasil é o maior exportador mundial de soja, minério de ferro, carne bovina e açúcar, e é também um produtor relevante de petróleo bruto, conforme acrescenta a EuroNews. Quando os preços globais das matérias-primas sobem, como aconteceu no contexto de choque energético de 2026, os termos de troca do Brasil melhoram, as receitas de exportação aumentam e a procura pelo real reforça-se por um canal completamente distinto.

    De fato, muitos fatores podem influenciar a força da moeda de um país. Entre eles, estão baixa inflação, economia estável, altas taxas de juros e receitas de exportações, como petróleo ou minerais. Países com governança estável e políticas financeiras robustas costumam ter moedas mais fortes. Quando uma moeda mantém seu valor, atrai a confiança dos investidores, oportunidades de negócios e progresso econômico.

    Uma economia forte e diversificada também ajuda a reduzir a volatilidade, o que reforça ainda mais a posição da moeda globalmente. 

    Nesta galeria, analisamos algumas das moedas mais fortes do mundo, classificadas pelo valor que uma unidade da moeda (um real, por exemplo) conseguiria comprar em dólar americano. Curioso para ver quais estão no topo da lista? Clique para descobrir! Algumas vão te surpreender.

    Real é a moeda que mais valoriza em 2026; Dólar em queda

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Dólar cai para R$ 4,95 com otimismo sobre acordo entre EUA e Irã

    Dólar cai para R$ 4,95 com otimismo sobre acordo entre EUA e Irã

    Investidores repercutem possibilidade de trégua definitiva na guerra no Oriente Médio; reabertura do estreito de Hormuz faz petróleo cair para US$ 87, menor valor em um mês, e afeta petroleiras

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta sexta-feira (17), em meio ao otimismo dos investidores de que Estados Unidos e Irã irão alcançar um acordo de paz.

    Às 13h17, a moeda norte-americana caía 0,23%, coatada a R$ 4,980. Na mínima do dia, chegou a R$ 4,950. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar a frente a outras seis divisas fortes, recuava 0,27%, a 97,94 pontos.

    Já a Bolsa tinha perdas de 0,31%, a 196.193 pontos, pressionada pelo tombo do setor petroleiro em meio à queda do barril do petróleo Brent no exterior.

    O ministério de Relações Exteriores do Irã anunciou nesta manhã, pelo horário de Brasília, a reabertura do estreito de Hormuz -via marítima por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

    “A passagem de todos os navios comerciais pelo estreito de Hormuz foi declarada totalmente aberta para o período restante do cessar-fogo”, afirmou Abbas Araghchi, chanceler do Irã, em post na rede social X.

    O ministro, porém, não deixou claro se o cessar-fogo a que se referia era o acordo entre Israel e Líbano, que começou às 0h do Líbano (18h de Brasília na quinta-feira) e deve se estender até 26 de abril, ou ao pacto entre EUA e Irã, que começou em 7 de abril e acaba no dia 21 deste mês.

    A decisão foi elogiada por Donald Trump. “OBRIGADO!”, escreveu o presidente norte-americano na plataforma Truth Social.

    Ele disse, contudo, que o bloqueio naval norte-americano continuará valendo para navios com petróleo do Irã enquanto um acordo não estiver fechado. As negociações poderão ser retomadas já neste final de semana.

    O tráfego por Hormuz é uma das questões mais sensíveis do conflito. O Irã usou o controle militar que tem sobre a via para pressionar economicamente Trump, e os gargalos na cadeia energética global levaram à disparada do preço do petróleo para perto de US$ 120 o barril -o dobro da previsão para a commodity neste ano antes do conflito.

    A reabertura da via marítima animou o mercado. Os preços do barril do Brent estão em queda de mais de 10% e chegaram a ser negociados abaixo de US$ 90, o menor valor em um mês.

    “Os comentários do ministro das Relações Exteriores do Irã indicam uma desescalada enquanto o cessar-fogo estiver em vigor. Agora precisamos ver também se o número de navios-tanque que cruzam o estreito aumenta substancialmente”, disse o analista do UBS Giovanni Staunovo.

    Ainda nesta sexta, a consultoria Kpler, referência no monitoramento de tráfego marítimo, disse à agência France Presse que três petroleiros iranianos conseguiram furar o bloqueio naval, levando 5 milhões de barris de óleo para fora do golfo Pérsico na quarta-feira (15).

    O cenário geopolítico foi o principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nesta semana. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes.

    Nesta sexta, o sentimento do mercado é de cautela, diz Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, mas “investidores estão mantendo apetite por risco”.
    “Apesar das incertezas nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio, que segue como ameaça à indústria petrolífera global, o fluxo de recursos externos para o Brasil permanece positivo.”

    A queda do petróleo, porém, afeta fortemente as empresas petroleiras com negócios na Bolsa.

    Nesta manhã, as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras caíam 6,4% e 6,8%, respectivamente, cotadas a R$ 45,47 e R$ 50. Prio perdia 7,19%, seguida por Brava (6%) e PetroRecôncavo (3,4%).

    Dólar cai para R$ 4,95 com otimismo sobre acordo entre EUA e Irã

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Brasil tem recorde de turistas estrangeiros no 1º trimestre, com alta anual de 19,4%

    Brasil tem recorde de turistas estrangeiros no 1º trimestre, com alta anual de 19,4%

    No período, 1 em cada 4 turistas estrangeiros que chegaram ao país teve como destino o Rio de Janeiro; levantamento considera exclusivamente pessoas que residem fora do Brasil, tanto estrangeiros quanto brasileiros que vivem no exterior

    O Brasil registrou recorde de entrada de turistas estrangeiros por via aérea no primeiro trimestre de 2026. Foram 2,33 milhões de visitantes internacionais, alta de 19,4% em relação a igual período do ano passado. Os números foram divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos com base em informações da Polícia Federal e do Ministério do Turismo.

    “Nosso objetivo é chegar, até o final do ano, a 7,5 milhões de turistas internacionais. Só no primeiro trimestre já atingimos a metade da meta”, destacou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

    Considerando todos os modais – aéreo, terrestre, marítimo e fluvial – o País também alcançou o melhor resultado da série histórica para o período, com 3,74 milhões de chegadas no trimestre. O levantamento considera exclusivamente pessoas que residem fora do Brasil, tanto estrangeiros quanto brasileiros que vivem no exterior.

    Desempenho aéreo

    Em janeiro, foram 742.848 chegadas por via aérea. O número representa crescimento de 22,15% frente ao mesmo mês de 2025. Em fevereiro, o número chegou a 835.464 visitantes (+15,44%) e, em março, a 750.934 (+21,36%).

    A Argentina foi o principal emissor de turistas no período, com 780.578 visitantes, seguida por Chile (316.252) e Estados Unidos (213.401). Entre os europeus, destacaram-se Portugal (113.765) e Alemanha (74.409).

    Pelos pontos de entrada, São Paulo (855.191) e Rio de Janeiro (843.615) concentraram a maior parte dos desembarques. Santa Catarina aparece na sequência, com mais de 328 mil entradas, seguida por Bahia (83.570) e Pernambuco (52.031).

    “Os resultados do trimestre refletem o esforço conjunto do governo federal para ampliar a conectividade, modernizar a infraestrutura e posicionar o Brasil como um destino cada vez mais competitivo no cenário internacional”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.

    Brasil tem recorde de turistas estrangeiros no 1º trimestre, com alta anual de 19,4%

    Fonte: Gazeta Mercantil