Categoria: adivinhar

  • Americanas acelera saída da recuperação judicial para ter mais acesso a crédito, diz CEO

    Americanas acelera saída da recuperação judicial para ter mais acesso a crédito, diz CEO

    Nas lojas físicas, canal que concentra 93% das vendas totais, as vendas aumentaram 4% no intervalo, período em que a Americanas também apresentou redução de 18,1% nas despesas gerais e administrativas.

    (FOLHAPRESS) – Vendas em alta exigem mais crédito, tanto junto a fornecedores quanto a bancos. Mas esse aumento de limite só vem para empresas fora da recuperação judicial (RJ). Foi por isso que a Americanas antecipou o pedido para deixar o processo, dois anos e um mês após a homologação da RJ na Justiça, disse à reportagem o CEO da empresa, Fernando Soares, 47. No Brasil, a duração média de uma RJ é de três anos e meio a cinco anos após a homologação.

    A solicitação da saída da RJ, que ainda precisa ser aprovada pela Justiça, foi feita na noite desta quarta-feira (25), quando a varejista também apresentou o balanço do quarto trimestre de 2025. A RJ teve início em janeiro de 2023, quando a Americanas declarou dívidas de R$ 43 bilhões, e foi homologada em fevereiro de 2024. Pela Lei de Recuperação Judicial (11.101/2005), as empresas podem solicitar a saída dois anos após a homologação.

    “Os números [do balanço] chamaram a nossa atenção e culminaram nessa decisão de antecipar o pedido [de saída da RJ], porque apontaram mais um ano de muita melhora operacional”, diz Soares, destacando a alta de 7,8% nas vendas “mesmas lojas” em comparação ao mesmo período do ano anterior -o indicador é importante porque permite saber se as vendas crescem, mesmo sem a empresa inaugurar novos pontos ou canais de venda.

    Nas lojas físicas, canal que concentra 93% das vendas totais, as vendas aumentaram 4% no intervalo, período em que a Americanas também apresentou redução de 18,1% nas despesas gerais e administrativas. “É uma declaração importante para o mercado e o nosso time também, de que é hora de mudar de fase no jogo.”

    Soares afirma que a varejista tem crescido de forma expressiva em categorias como bebidas e limpeza, o que pede mais limite de crédito. Essa conversa você só pode ter [com bancos e fornecedores] no pós-recuperação judicial”.

    O executivo assumiu o cargo em 1º de outubro, no lugar de Leonardo Coelho, responsável por comandar a Americanas depois que veio à tona a fraude contábil de R$ 25,3 bilhões. Se o trabalho de Coelho se concentrou em manter a operação de pé em meio ao maior escândalo contábil da história do país, o de Soares está em fazê-la crescer. Mas existem dúvidas se a empresa está de fato em uma fase consistente, como diz o executivo.

    O time de analistas financeiros que acompanhava o desempenho da varejista não emite mais relatórios sobre a companhia. Em 14 casas, o papel está “em revisão” desde a recuperação judicial.

    O ano da Americanas encerrou com prejuízo de R$ 271 milhões, frente a um lucro de R$ 8,3 bilhões em 2024, que havia sido obtido graças a efeitos contábeis decorrentes da reestruturação de dívidas.

    Em 2025, a companhia registrou vendas brutas consolidadas de R$ 17 bilhões, queda de 9% sobre 2024. A receita líquida atingiu R$ 12,3 bilhões, recuo de 1,2%. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 33,2%, para R$ 1,1 bilhão. O Ebitda ajustado ex-IFRS 16 (que considera o aluguel das lojas) somou R$ 277 milhões, alta de 156,3% sobre o ano anterior.

    André Pimentel, sócio da consultoria Performa Partners, chama a atenção para a linha de “outras receitas/despesas operacionais”, que foi positiva em R$ 1,2 bilhão em 2025. Na conta, entram R$ 830 milhões referentes a créditos de ICMS e Pis e Cofins, R$ 164 milhões referentes a renegociações de contratos de TI e R$ 160 milhões de acordos tributários federais e estaduais.

    “Sem essas receitas não recorrentes, ou seja, com as quais não se conta todo trimestre, o Ebitda ex-IFRS 16 seria negativo em R$ 912 milhões”, afirma Pimentel. Um Ebitda negativo indica que a operação da companhia não gera caixa suficiente para cobrir seus custos e despesas diretas.

    Além disso, diz o consultor, a dívida bruta subiu R$ 213 milhões, para R$ 1,99 bilhão, enquanto as disponibilidades totais (soma de todos os recursos da empresa) caíram R$ 300 milhões, para R$ 2,48 bilhões. “Como resultado, o caixa líquido recuou 51%, para R$ 488 milhões. Como um negócio desses pode se manter de pé?”, questiona o especialista, que trabalhou na reestruturação da Americanas no fim dos anos 1990, quando estava na Galeazzi & Associados.

    Na opinião de Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, a Americanas ainda não redescobriu a sua vocação no varejo -deixou de ser uma das líderes do canal online, onde era forte em eletroeletrônicos, e tenta se adaptar ao modelo de conveniência baseado em lojas físicas. “É uma empresa ainda em busca de um conceito, de uma proposta de valor”, diz.

    Já para Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail, o novo modelo Americanas se mantém. “O parque de lojas da rede é muito bom. Embora muitos pontos tenham sido fechados [mais de 400 durante a RJ], as lojas têm muito tráfego e são destino de quem procura bomboniere, higiene e beleza”, afirma.

    As compras sazonais, como as de Páscoa, são a grande força da Americanas, diz Serrentino. “Eles trabalham muito bem com a ampliação de mix em categorias sazonais, como Páscoa, Natal, volta às aulas e Dia das Crianças”, diz o consultor, para quem a rede está retomando gradualmente a confiança dos fornecedores. “Acredito que eles saíram da UTI, mas ainda têm uma longa reabilitação pela frente.”

    RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA VAREJISTA FOI MAIS RÁPIDA QUE A MÉDIA

    De acordo com dados do Observatório da Insolvência, que analisa processos de recuperação judicial e falência no Brasil, os processos de recuperação judicial no país têm duração média de três anos e meio a cinco anos, a contar da data da homologação do plano pela Justiça.

    “O prazo depende da complexidade do caso, do número de credores e do efetivo cumprimento do plano”, diz o advogado Filipe Denki, sócio da Veritas Administração Judicial. “Caso a saída da Americanas se confirme, terá sido um processo bem rápido”, diz ele, lembrando, a título de comparação, a recuperação judicial da Oi. A tele passou cerca de seis anos na primeira RJ, e voltou a ingressar nesse regime em novembro do ano passado.

    No geral, segundo Denki, os planos de pagamento aprovados em recuperação judicial têm duração média de 10 anos no Brasil. “Quando se trata de grandes empresas, tende a ser ainda mais extenso, diante da maior complexidade e do número elevado de credores envolvidos”, diz. No caso da Americanas, o prazo de pagamento é de 20 anos. Mesmo saindo da recuperação, a empresa deve cumprir o cronograma.
    *
    RAIO-X AMERICANAS
    Fundação: 1929
    Sede: Rio de Janeiro
    Funcionários: 23.988
    Lojas: 1.452, em todos os estados do país e no Distrito Federal

    Centros de distribuição: Seropédica (RJ), Uberlândia (MG), Itapevi (SP), Benevides (PA), Cabo de Santo Agostinho (PE), Simões Filho (BA), São José dos Pinhais (PR) e Gravataí (RS)
    Principais concorrentes: supermercados, lojas de cosméticos, lojas de doces
    Receita líquida 2025: R$ 12,3 bilhões

    Americanas acelera saída da recuperação judicial para ter mais acesso a crédito, diz CEO

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Tarcísio emplaca nomes do próprio governo em agências reguladoras após reforma para blindar órgãos

    Tarcísio emplaca nomes do próprio governo em agências reguladoras após reforma para blindar órgãos

    A condução de mais um membro do governo para o cargo de diretor-presidente acontece dentro das regras previstas na reforma das agências reguladoras que Tarcísio patrocinou e aprovou em 2024.

    (FOLHAPRESS) – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), emplacou mais um integrante de seu governo no comando das agências reguladoras do estado. Com a nomeação de Diego Domingues para a presidência da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) nesta quarta (25), o chefe do Executivo paulista terá ex-subordinados à frente de todas as três autarquias que regulam e fiscalizam serviços públicos.

    A condução de mais um membro do governo para o cargo de diretor-presidente acontece dentro das regras previstas na reforma das agências reguladoras que Tarcísio patrocinou e aprovou em 2024. A reestruturação foi defendida pelo governador com o argumento de garantir mais autonomia e profissionalizar o comando das entidades. De lá para cá, todas as indicações saíram de secretarias estaduais.

    É o caso de Domingues, número dois da SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos). A pasta é responsável pela elaboração de projetos de concessão e privatização do governo, muitos dos quais ficam sob a supervisão da Arsesp -agência que ele passa a comandar agora.

    O nome de Domingues foi aprovado em sabatina da Comissão de Infraestrutura da Alesp (Assembleia Legislativa), que é presidida pelo deputado Luiz Fernando Teixeira (PT) e tem maioria de aliados do governador.

    Servidor de carreira na gestão estadual, Domingues já exerceu cargos na Secretaria da Fazenda e terá mandato na Arsesp até 1º de julho de 2030. Ao assumir como diretor-presidente, ele deixa o cargo de secretário-executivo da SPI, pasta onde trabalha desde 2023. Durante esse período, a secretaria ajudou a estruturar projetos como a privatização da Sabesp e as PPPs (parcerias público-privadas) de escolas estaduais. Agora ele fiscalizará esses serviços.

    “Participei marginalmente [da privatização da Sabesp]. A Secretaria é bastante grande, mas, sim, participei parcialmente”, admitiu Domingues durante oitiva na Alesp, em 11 de fevereiro deste ano.

    Durante a sabatina na Comissão de Infraestrutura, Domingues foi questionado por deputados do PT e do PSOL se não haveria conflito de interesses em assumir a presidência de um órgão responsável por fiscalizar companhias nas quais ele trabalhou no processo de privatização. Segundo ele, não há conflito, já que a Arsesp possui autonomia orçamentária e financeira, e toma decisões por meio do conselho diretor.

    O novo secretário-executivo de Parcerias e Investimentos será Thiago Mesquita Nunes, justamente o último presidente da Arsesp.

    Domingues virou o número dois da SPI em 2024, depois que seu antecessor no cargo, André Isper Barnabé, foi indicado por Tarcísio para comandar a Artesp, que supervisiona concessões de rodovias, trens, metrôs e transportes em geral. 

    A elaboração de projetos desses setores também é de responsabilidade da secretaria estadual.

    Antes de entrar no governo Tarcísio em 2023, Barnabé teve passagem pela Artesp, ocupando a função de superintendente entre 2017 e 2019. De todos os indicados pelo governo, é o único com experiência prévia na agência que assumiu.

    Meses depois da nomeação de Barnabé, Tarcísio indicou outro integrante de seu governo para uma agência reguladora. Nesse caso, para a recém-criada SP Águas, que regula recursos hídricos, concessão de outorgas e fiscaliza a segurança de barragens. Desde dezembro de 2024, a entidade passou a ser comandada por Camila Viana, então subsecretária de recursos hídricos e saneamento básico na Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística).

    A pasta teve protagonismo no projeto de privatização da Sabesp, inclusive com atuação direta de Camila. Hoje, ela comanda uma agência responsável por outorgas e licenças de uso hídrico em São Paulo -temas sensíveis para a companhia de saneamento.

    Em nota enviada pela assessoria de comunicação, o Governo de São Paulo disse que as indicações foram realizadas com base em critérios técnicos, experiência comprovada nos setores regulados e capacidade de gestão de estruturas complexas.

    “Todos os indicados possuem reconhecida qualificação técnica, trajetória na administração pública e conhecimento específico das áreas sob regulação. A experiência acumulada na gestão estadual contribui para uma atuação regulatória mais eficiente e alinhada ao interesse público, sem prejuízo à autonomia das agências”, afirmou.

    A reportagem questionou se o governo não via conflito com as indicações -haja vista que os diretores-presidentes fiscalizam concessões e projetos que eles mesmos ajudaram a estruturar-, mas não teve resposta.

    Procuradas para comentar, Arsesp, Artesp e SP Águas disseram que seus posicionamentos estariam contemplados na nota do governo estadual.

    No evento de sanção da reforma das agências reguladoras, em setembro de 2024, Tarcísio afirmou que São Paulo passaria a ter as melhores agências do país, e um dos motivos seria a rigidez nos critérios de escolha dos diretores.

    A legislação padronizou e detalhou travas que já existiam para a nomeação de pessoas que atuam em empresas reguladas. Também ampliou os impedimentos, incluindo dirigentes partidários, dirigentes sindicais e políticos com mandato legislativo. Não há vedação para pessoas com cargos no Executivo.

    A reforma também criou um pacote de requisitos mínimos de experiência para os cargos, deixando explícitas a ausência de subordinação hierárquica em relação ao governo e a autonomia financeira.

    A nomeação de Domingues para a Arsesp encerra o ciclo de indicações para o comando das agências reguladoras da atual gestão Tarcísio. Como os mandatos de diretores são de cinco anos, as próximas conduções começarão em 2030.

    Mesmo com uma eventual mudança no governo paulista nas eleições de 2026, a presidência das entidades seguirá com os ex-integrantes do governo Tarcísio. Isso porque, com as regras de estabilidade previstas na reforma das agências, os diretores não podem ser exonerados.

    Em nota, a Apar-SP (Associação dos Profissionais das Agências Reguladoras do Estado de São Paulo) afirmou que a credibilidade do modelo regulatório depende da independência institucional, da qualificação técnica e da diversidade nos órgãos decisórios. A entidade diz ser natural que as indicações à diretoria passem pelo Executivo, mas defende que o processo de escolha priorize critérios técnicos, com experiência comprovada nos setores regulados e compromisso com a autonomia decisória, para evitar riscos de conflitos de interesse.

    A associação acrescentou que a eficácia da reforma das agências depende da coerência nas indicações, sobretudo após mudanças que aumentaram as prerrogativas das presidências e extinguiram instâncias como conselhos de orientação, tornando o “rigor técnico” do indicado o principal freio e contrapeso.

    A Apar-SP também cobrou valorização do quadro de carreira, citando que a Arsesp tem corpo técnico formado há mais de 15 anos e profissionais com mais de 20 anos de experiência, mas que esse potencial “ainda não foi plenamente aproveitado” nas indicações à diretoria.

    CONHEÇA AS AGÊNCIAS REGULADORAS DE SP
    ARSESP
    – O que é: autarquia que regula serviços públicos no estado, com foco maior em gás canalizado, saneamento básico e concessões de escolas. Também tem atuação no setor elétrico por meio de convênio com a Aneel, que é a responsável por concessões de energia no país.
    – Atribuições: fiscalizar, controlar e acompanhar a qualidade dos serviços regulados, incluindo cumprimento de contratos e definição de tarifas.
    – Criação: dezembro de 2007
    – Número de diretores: cinco
    ARTESP
    – O que é: agência reguladora dos serviços públicos de transporte no estado de São Paulo.
    – Atribuições: regular, controlar e fiscalizar concessões, permissões e autorizações de transporte (rodovias, ferrovias, metrôs, aeroportos regionais, transporte coletivo intermunicipal e outros modais), com atuação sobre qualidade do serviço, cumprimento de contratos e tarifas.
    – Criação: janeiro de 2002
    – Número de diretores: cinco
    SP ÁGUAS
    – O que é: agência reguladora do estado de São Paulo que substituiu o antigo Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica).
    – Atribuições: regulação de recursos hídricos, concessão de outorgas, fiscalização de usos e segurança de barragens, monitoramento hidrológico.
    – Criação: setembro de 2024
    – Número de diretores: cinco

    Tarcísio emplaca nomes do próprio governo em agências reguladoras após reforma para blindar órgãos

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Governo diz que não há risco de desabastecimento de diesel no país

    Governo diz que não há risco de desabastecimento de diesel no país

    MME afirma que há estoque garantido até fim de abril, inclusive com maior oferta que demanda; fiscalização contra preços abusivos já levou à autuação de 16 distribuidoras de combustíveis

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo federal disse nesta quinta-feira (26) que não há risco de desabastecimento de diesel no país, que o país tem reservas de combustível para atender os meses de março e abril e que não há nenhum sinal de falta do insumo.

    Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), as condições de mercado têm sido monitoradas a cada 48 horas, levando em conta oferta e demanda, e que relatos de falta de combustíveis “são pontuais”, devendo ser analisados caso a caso -inclusive como eventual possibilidade de “recusa de oferta do produto”.

    As previsões atuais apontam que, em abril, deverá haver maior oferta do que a demanda prevista para diesel.

    De acordo com o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, Renato Dutra, o país conta com oferta suficiente do combustível e com fluxo de importações já garantido.

    Ele afirmou que os dados são confirmados junto a produtores, importadores, refinadores e distribuidores. “Os dados oficiais são confirmados junto a esses agentes para sabermos qual vai ser a demanda prevista e a oferta que a gente tem já planejada, tanto de produção quanto de importação”, disse.

    O Ministério da Justiça fez um levantamento sobre as fiscalizações realizadas até agora, desde o dia 9 de março. Forças-tarefa atuaram em 12 estados e 50 cidades, com fiscalização de 342 agentes regulados, sendo 78 distribuidores de combustíveis, dos quais 16 foram autuados por prática de preços abusivos.

    Em alguns casos, segundo o governo, foi identificado aumento de margem superior a 270% de uma semana para outra.

    Como mostrou a Folha de S. Paulo, as fiscalizações sobre a alta abrupta do preço do diesel ocorrida entre o fim de fevereiro e início de março revelam que distribuidoras do combustível chegaram a vender o produto com alta de até R$ 1,75 por litro, mesmo quando seus custos permaneceram estáveis ou até caíram no mesmo período.

    Além disso, os Procons realizaram fiscalizações em 3.181 postos de combustíveis, distribuídos por 190 municípios em todos os 27 estados. Um total de 236 distribuidoras foram alvo de inspeções, com 1.785 notificações emitidas.

    Na última semana analisada, de 23 a 26 de março, houve intensificação das operações, com fiscalização de 1.360 postos, emissão de 739 notificações e atuação sobre 112 distribuidores.

    A Petrobras ampliou a oferta de gasolina e diesel aos seus clientes para entrega em abril, dentro da dinâmica de atendimento de contratos comerciais, após distribuidores terem alertado para riscos de abastecimento com a recente disparada nos preços do petróleo.

    Em comunicado, a empresa confirmou informações divulgadas pela Reuters nesta manhã. Os volumes adicionais que serão incorporados a compromissos assumidos para o próximo mês junto a distribuidoras somam 70 milhões de litros de diesel S10 e 95 milhões de litros de gasolina, disse a Petrobras.

    A decisão da Petrobras por ampliar as entregas via contratos ocorre após a reguladora ANP ter notificado a companhia na semana passada para que ela ofertasse “imediatamente” volumes referentes a leilões de combustíveis da estatal que haviam sido cancelados.

    Governo diz que não há risco de desabastecimento de diesel no país

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Agro brasileiro exportará via Turquia para contornar Estreito de Ormuz

    Agro brasileiro exportará via Turquia para contornar Estreito de Ormuz

    Ministério da Agricultura anunciou acordo para transportar mercadorias; medida tem como objetivo evitar prejuízos ao fluxo de exportações para mercados como do Oriente Médio e da Ásia Central

    O setor agropecuário brasileiro poderá manter as exportações ao Oriente Médio e Ásia Central via Turquia. O Ministério da Agricultura e Pecuária anunciou nesta quinta-feira (26) o fechamento de um acordo para tornar viável uma rota alternativa de transporte de produtos do agronegócio após o fechamento do Estreito de Ormuz, afetado pela guerra no Oriente Médio.

    A medida tem como objetivo evitar prejuízos ao fluxo de exportações, especialmente para mercados do Oriente Médio e da Ásia Central.

    Com o acordo, a estrutura portuária turca passa a funcionar como ponto estratégico para o escoamento da produção brasileira. As cargas podem seguir viagem sem a necessidade de atravessar o Golfo Pérsico, uma das regiões mais afetadas pelo conflito.

    A rota já era utilizada por exportadores, mas ganhou relevância com o agravamento da crise e o bloqueio de uma das principais vias marítimas do mundo.

    Fluxo garantido

    Na prática, o novo arranjo logístico permite maior flexibilidade aos exportadores brasileiros. As cargas podem atravessar o território turco ou permanecer armazenadas por um período limitado até o embarque final.

    Em nota, a pasta afirmou que a iniciativa traz mais previsibilidade ao setor em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do governo para manter o comércio agropecuário em funcionamento.

    Exigências sanitárias

    A ampliação do uso da rota alternativa exigiu adaptações. A Turquia passou a impor regras sanitárias mais rígidas para produtos sujeitos a controle veterinário, especialmente os de origem animal.

    Para contornar o problema, o governo brasileiro negociou a adoção de um Certificado Veterinário Sanitário específico, que permite o trânsito ou o armazenamento temporário das mercadorias em território turco antes do envio ao destino final.

    Segundo o ministério, a medida garante que os produtos atendam às exigências locais e evita interrupções no comércio.

    Impacto global

    O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do planeta, responsável por conectar o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. A via é estratégica para o transporte de petróleo e produtos agropecuários.

    O fechamento da passagem tem impacto direto no comércio global e preocupa o agronegócio brasileiro não apenas pelas exportações, mas também pela dependência de insumos importados, principalmente de fertilizantes.

    Risco para insumos

    O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, e entre 20% e 30% das exportações globais desses produtos passam pela região afetada pelo conflito.

    A interrupção da rota aumenta o risco de desabastecimento e pressiona custos de produção, o que pode afetar a produtividade agrícola nos próximos ciclos.

    “A medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Ministério da Agricultura para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento”, destacou o Ministério da Agricultura e Pecuária em nota.

    Agro brasileiro exportará via Turquia para contornar Estreito de Ormuz

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Lula diz que governo apresentará solução para famílias endividadas

    Lula diz que governo apresentará solução para famílias endividadas

    Lula disse que essa solução precisa vir acompanhada de campanhas voltadas à educação financeira das pessoas; instrução foi dada pelo presidente ao novo ministro da Fazenda

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira (26), ter demandado ao novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresente soluções para o endividamento das famílias brasileiras. Segundo o presidente, essa solução precisa vir acompanhada de campanhas voltadas à educação financeira das pessoas, para que melhor planejem seus orçamentos.

    Em visita à unidade industrial da montadora Caoa, em Anápolis (GO), Lula disse que, apesar de a economia do país estar bem, há ainda um problema a ser resolvido: “temos a sociedade brasileira um pouco endividada”.

    De acordo com o presidente, algumas dívidas podem ser consideradas boas, como é o caso das que são adquiridas para a formação de patrimônio, como imóveis; ou que garantam qualidade de vida, como a aquisição de automóveis ou aparelhos domésticos.

    O problema, segundo ele, é quando a dívida ou a prestação ficam maiores do que o que sobra de dinheiro no final do mês.

    “Aí, a gente fica zangado e culpa quem? Culpa o governo. O mundo é assim. A gente culpa o governo por tudo que dá errado. Eu sei que, na cabeça das pessoas, funciona assim”, disse o presidente.

    “Por isso, eu pedi ao ministro da Fazenda para a gente resolver o problema da dívida das pessoas”, acrescentou.

    Busca por uma solução

    Lula disse não querer que as pessoas deixem de se endividar “para ter uma coisa nova da vida”.

    “O que nós queremos é ver como é que a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que as pessoas devem, e como é que a gente pode começar a ensinar as pessoas a administrar o salário”, disse, ao falar também sobre os riscos de comprometer o orçamento futuro por meio do uso exagerado do cartão de crédito.

    “Por isso o Dario Durigan está com a função de apresentar essa solução”, acrescentou.

    Momento raro

    Durigan assumiu o cargo de ministro da Fazenda após a saída de Fernando Haddad, que vai disputar as próximas eleições. Segundo o novo ministro, o país passa por um “momento raro”.

    “Não é senso comum nem algo básico que um país cresça e se desenvolva gerando emprego; que tire as pessoas do Mapa da Fome e, ao mesmo tempo, mantenha a inflação sob controle. Estamos vivendo um momento raro”, disse o ministro.

    Ele lembrou que o atual governo foi o que mais fez concessões na área de infraestrutura; e o que mais apostou no desenvolvimento do país.

    “Ao mesmo tempo, foi o que mais passou recursos a estados e municípios. Isso também não é comum. É raro e mostra que nosso compromisso é com todos: com o meio ambiente, com o agronegócio, com a indústria, com a economia e com a democracia. Mais que tudo isso, nosso compromisso é para que o nosso povo viva com qualidade de vida.”

    Produtividade e inovação

    Segundo ele, um dos desafios a ser enfrentado pelo ministério é aumentar a produtividade e a inovação no país. Algo que, na avaliação do governo, abrange uma melhor formação de trabalhadores e, também, a redução da escala 6 por 1, que dará, aos brasileiros, o direito a folgar dois dias por semana.

    Ainda nesse contexto, ele destacou os benefícios que a reforma tributária trarão para a produção no país, uma vez que dará mais eficiência e racionalidade ao pagamento de tributos.

    “No ano que vem, vamos ganhar — e muito — em racionalidade, eficiência e celeridade na nossa economia. Isso aumenta a produtividade, com cada um de nós trabalhando melhor. Não necessariamente mais tempo, mas, no tempo de trabalho que a gente tem, com a gente entregando todo o nosso potencial”, argumentou.

    Lula diz que governo apresentará solução para famílias endividadas

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Proposta sobre redução de jornada está acima da disputa política neste ano, diz Hugo Motta

    Proposta sobre redução de jornada está acima da disputa política neste ano, diz Hugo Motta

    “Os trabalhadores que não precisam dizer a sua opção política, em sua grande maioria, para não dizer a totalidade, defendem essa redução da jornada de trabalho”, declarou o presidente da Câmara

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a proposta de redução da jornada de trabalho está “acima da disputa política” a ser travada na eleição deste ano e voltou a dizer que pretende levar a matéria para o votação no plenário da Câmara em maio.

    As declarações ocorreram na quarta-feira, 25, em João Pessoa (PB), a veículos paraibanos. “Essa é uma matéria que está acima da disputa política que teremos neste ano. Os trabalhadores que não precisam dizer a sua opção política, em sua grande maioria, para não dizer a totalidade, defendem essa redução da jornada de trabalho”, declarou.

    Na sequência, Motta fez uma ponderação sobre a necessidade de discutir a questão com representantes dos setores produtivos da economia. “O que nós precisamos é ter muita sabedoria para ouvir também o setor produtivo, ouvir quem emprega, e com isso termos uma proposta que traga sim, um avanço, e não represente nenhum retrocesso”, disse.

    Segundo o presidente da Câmara, a ideia é “avançar” com a proposta ainda no primeiro semestre deste ano. “Eu imagino que a Comissão de Constituição e Justiça deve avançar com essa matéria até o início do mês de abril. Em seguida, nós vamos criar a comissão especial. E a expectativa é que possamos levar essa matéria ao plenário da Câmara dos Deputados no mês de maio, que é o mês do trabalhador”, declarou.

    As declarações ocorrem num momento em que governistas voltam a defender o envio de um projeto de lei sob urgência constitucional sobre o assunto, para acelerar a tramitação da proposta. Há uma avaliação entre integrantes do governo e da base na Câmara de que a CCJ está atuando com lentidão. O presidente do colegiado, Leur Lomanto Jr. (União-BA), nega protelação e diz que a votação do relatório deve ocorrer em meados de abril.

    Proposta sobre redução de jornada está acima da disputa política neste ano, diz Hugo Motta

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Petrobras faz leilão de gás de cozinha com ágio mínimo de 30% sobre preço normal

    Petrobras faz leilão de gás de cozinha com ágio mínimo de 30% sobre preço normal

    A estatal vai leiloar a entrega de 70 mil toneladas de GLP, equivalente a cerca de 12% do consumo mensal brasileiro, com ágios mínimos variando entre R$ 885 e R$ 950 por tonelada, além do preço normal do produto, hoje de cerca de R$ 2.900 por tonelada.

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A Petrobras agendou para esta sexta-feira (27) um leilão de oferta de GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha), com o maior ágio mínimo de cerca de 30% sobre o preço que cobra normalmente pelo produto.

    A estatal vai leiloar a entrega de 70 mil toneladas de GLP, equivalente a cerca de 12% do consumo mensal brasileiro, com ágios mínimos variando entre R$ 885 e R$ 950 por tonelada, além do preço normal do produto, hoje de cerca de R$ 2.900 por tonelada.

    “Estamos preocupados e surpresos”, diz o presidente do Sindigás (Sindicato das Distribuidoras de GLP), Sérgio Bandeira de Mello.

    No último leilão, os ágios mínimos variaram entre R$ 20 e R$ 150 por tonelada. Ao fim da concorrência, empresas que queriam entrega em Ipojuca (PE) acabaram pagando R$ 1.190 de ágio, o equivalente a quase metade do preço de refinaria da região.

    A Petrobras começou a fazer leilões de GLP em novembro de 2024. A estratégia é vista como uma maneira de repassar parcialmente ao mercado interno as variações das cotações internacionais do produto, que não tem reajuste nas refinarias da estatal desde julho daquele ano.

    A estatal defende em nota que a parcela vendida em leilões atende à demanda das distribuidoras para venda aos segmentos comercial e industrial do combustível e, por isso, não deveria afetar o consumidor residencial.

    “O objetivo é atender às necessidades crescentes do segmento industrial e de outras demandas que não se enquadram no uso residencial em botijões de 13 quilos”, diz. “Portanto, no entendimento da Petrobras, os volumes arrematados em leilão não deveriam impactar os preços de GLP em botijões de 13 quilos.”

    O país já teve uma política de diferenciação de preços entre esses dois usos: o GLP era mais barato se fosse comprado para envase em botijão de 13 quilos do que se fosse destinado a vasilhames maiores ou venda a granel, produtos mais usados por comércio, indústria e grandes condomínios.

    Essa política caiu em 2020, no governo Jair Bolsonaro (PL), com apoio do setor e de grandes consumidores. No ano passado, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, defendeu o retorno de preços diferenciados.

    Em 2025, como alternativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aprovou a ampliação do número de beneficiários de programa que botijões de gás para famílias de baixa renda, renomeado como Gás do Povo.

    A Petrobras diz que sua parcela no preço final do gás de cozinha é pequena -de apenas R$ 34,73 em um preço médio de R$ 109,91 por botijão na semana passada – e, por isso, seus preços teriam efeito limitado na variação final do produto.

    Afirma ainda que “permanece comprometida com a segurança e a continuidade do abastecimento nacional, inclusive no atendimento às demandas adicionais geradas pelo Programa Gás do Povo”. Por isso, ampliou em 4,4% a oferta do produto para os meses de março e abril de 2026.

    O mercado global de GLP foi bastante impactado pela guerra no Irã, grande fornecedor de matérias-primas petroquímicas para a Ásia. China e Índia sofrem com forte queda nas importações: jornais indianos dizem, por exemplo, que a falta de produtos gera filas nas revendas e abriu espaço para um mercado negro de botijões.

    Em 2025, cerca de 21% do mercado brasileiro de gás de cozinha foi abastecido com produtos importados. Estados Unidos e Argentina são os dois principais fornecedores, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

    Petrobras faz leilão de gás de cozinha com ágio mínimo de 30% sobre preço normal

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Distribuidoras e postos aumentam margem sobre combustíveis em até 103%

    Distribuidoras e postos aumentam margem sobre combustíveis em até 103%

    A diferença entre o valor que os postos e distribuidoras pagam para comprar o combustível e o preço de revenda dele aumentou quase 28% desde o começo de janeiro, enquanto a do diesel S-10, comumente utilizado pela frota mais nova de caminhões, subiu mais de 17%

    (FOLHAPRESS) – Desde o início do ano, distribuidores e postos de combustíveis aumentaram a margem de suas operações na esteira da elevação dos preços do petróleo, provocada pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, segundo dados do Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo do MME (Ministério de Minas e Energia).

    O aumento das margens ganhou força em meio ao sobe e desce das cotações internacionais do óleo e de medidas adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -como subsídios e redução de impostos- para tentar conter a disparada dos preços do diesel e da gasolina neste ano eleitoral.

    A diferença entre o valor que os postos e distribuidoras pagam para comprar o combustível e o preço de revenda dele aumentou quase 28% desde o começo de janeiro, enquanto a do diesel S-10, comumente utilizado pela frota mais nova de caminhões, subiu mais de 17%.

    O maior aumento de margem, porém, de mais de 103% no período, concentrou-se na venda do chamado diesel S-500, amplamente utilizado em veículos fabricados antes de 2012.

    O economista Eric Gil Dantas, do IBGE (Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas Sociais), destaca que não é de hoje que postos e distribuidoras têm elevado suas margens. Desde janeiro de 2021, a margem para o diesel S-500 aumentou 302%; para o S-10, 115%; e para a gasolina, 90%. Segundo o IBGE, a inflação acumulada no período é de 35%.

    “É algo que já vem ocorrendo, mas o movimento ganhou força em meio à confusão gerada pela guerra”, afirma Dantas. “Quando há tensão e conversas sobre possível desabastecimento [como chegou a ocorrer no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina], o preço final perde relevância para o consumidor, que acaba aceitando valores maiores para não ficar sem o combustível.”

    Por outro lado, o representante de uma das maiores distribuidoras do país, que preferiu não se identificar, afirma que não há “oportunismo” do setor. Segundo ele, as margens têm aumentado pressionadas pela elevação de custos.
    Como exemplo, citou reajustes salariais e o aumento dos fretes pagos aos caminhoneiros e o atual momento de escoamento da safra, que teria deixado os motoristas em posição de cobrar além do tabelamento.

    Ele afirma que o governo está num “beco sem saída” e que, ao acusar distribuidoras e postos de abusos, quer “tirar o foco do problema”. Sua estimativa é de que os preços do diesel e da gasolina praticados pela Petrobras estejam defasados em R$ 2,70 e R$ 1,60, respectivamente, e que estão sendo represados para conter danos político-eleitorais.

    Outro executivo de uma grande empresa afirmou que as importações de quem precisa abastecer redes de postos chegaram a duplicar. Isso pressionou os custos devido à alta dos fretes marítimos e por requerer mais capital de giro nas operações -além de o preço do produto importado ser maior do que o praticado pela Petrobras.

    A disparada dos preços e das margens preocupa o Planalto, pois ameaça neutralizar o pacote de alívio anunciado por Lula. Recentemente, o governo zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e instituiu uma subvenção a produtores e importadores, medidas que somam uma redução teórica de R$ 0,64 por litro na bomba.

    O fato é que o governo acionou a ANP para coibir o que classifica como “práticas abusivas e especulativas”. Uma força-tarefa nacional, realizada entre 16 e 20 de março, fiscalizou 154 agentes econômicos em 12 unidades da Federação. A operação resultou na autuação de 11 estabelecimentos por indícios de preços abusivos e nove interdições por irregularidades diversas.

    A ação baseia-se na Medida Provisória nº 1.340, que conferiu novos poderes fiscalizatórios à agência para enfrentar o armazenamento injustificado de combustível e aumentos sem lastro técnico. Sob as novas regras, empresas que confirmarem a prática de preços abusivos após processo administrativo podem enfrentar multas que variam de R$ 50 mil a R$ 500 milhões, dependendo da gravidade e do porte do infrator.

    A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora e com participação de 22% no mercado, foi autuada pela ANP após elevar o preço do diesel em cerca de R$ 1,06 por litro, enquanto seu custo subiu apenas R$ 0,03 entre fevereiro e março, segundo reportagem da Folha. A diferença, de cerca de 35 vezes, foi considerada indício de prática abusiva.

    Em nota, a Vibra afirmou que “os preços no setor de combustíveis são resultado de uma dinâmica influenciada por múltiplos fatores, como diferentes fontes de suprimento, incluindo importações, custos logísticos, variações cambiais e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência”.

    Distribuidoras e postos aumentam margem sobre combustíveis em até 103%

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Americanas pedem à Justiça encerramento da recuperação judicial

    Americanas pedem à Justiça encerramento da recuperação judicial

    Pedido marca etapa final do processo iniciado após a descoberta de um rombo bilionário. Decisão judicial recente também definiu venda de unidade estratégica do grupo, em meio à reestruturação financeira e pagamento de credores

    O grupo varejista Americanas S.A encaminhou pedido ao Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, para que sejam tomadas as medidas necessárias ao encerramento da recuperação judicial.

    A Americanas descobriu um rombo contábil de R$ 20 bilhões no balanço feito em janeiro de 2023, referente a exercícios anteriores – incluindo o ano de 2022, com dívidas no valor aproximado de R$ 40 bilhões.

    Nessa quarta-feira (25), a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro declarou a Fan Store Entretenimento (BandUP!) vencedora do leilão da UPI Uni.Co, unidade de negócios do Grupo Americanas. A decisão, proferida pela juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca invalidou a proposta da concorrente Solver Soluções Críticas por um erro formal: a entrega de um envelope aberto.

    O certame visava à  alienação de 100% das ações da Uni.Co, dona das marcas Imaginarium e Puket, com valor mínimo fixado em R$ 152 milhões. A empresa Solver Soluções Críticas chegou a apresentar proposta superior, no valor de R$ 155 milhões, incluindo um pagamento à vista de R$ 70 milhões. No entanto, a oferta foi contestada pelos outros participantes do processo.

    A Solver tentou defender a validade de sua oferta, alegando que o fato de haver apenas um envelope fechado (embora não lacrado) não trazia prejuízo ao processo e que sua proposta financeira era 3,5 vezes superior à oferta inicial no que se refere ao pagamento à vista. A própria Americanas, visando ao interesse dos credores, chegou a se manifestar inicialmente pela continuidade do processo competitivo, apesar da falha.

    Decisão

    Na decisão, a juíza escreveu que “a exigência de envelope lacrado não é uma mera formalidade estética, mas um instrumento essencial para garantir que o conteúdo permaneça inacessível até o momento oficial, evitando riscos de manipulação ou conhecimento prévio”.

    Com a desclassificação da Solver, a proposta da Fan Store foi homologada pelo juízo. A transferência das ações da UPI Uni.Co para a empresa vencedora, segundo a decisão, deverá ocorrer de forma livre e desembaraçada de quaisquer ônus, conforme previsto no Plano de Recuperação Judicial do Grupo Americanas.

    A empresa manterá seus acionistas e o mercado informados sobre o desenvolvimento do processo.

    Americanas pedem à Justiça encerramento da recuperação judicial

    Fonte: Gazeta Mercantil

  • Pente-fino do INSS pode cortar benefício sem aviso; veja se está na lista

    Pente-fino do INSS pode cortar benefício sem aviso; veja se está na lista

    Revisão automatizada cruza dados de renda, cadastro e movimentações financeiras para identificar irregularidades. Beneficiários podem ter pagamentos bloqueados ou suspensos caso não atualizem informações ou apresentem inconsistências nos registros oficiais

    O pente-fino nos benefícios sociais foi reforçado em 2026 e pode atingir automaticamente milhares de brasileiros, inclusive quem recebe valores ligados ao INSS ou está inscrito no Cadastro Único. A principal mudança é que a seleção agora acontece de forma automatizada, sem necessidade de aviso prévio.

    Na prática, o governo passou a cruzar dados de diferentes bases oficiais, como registros de emprego, movimentações financeiras e benefícios ativos. Quando há qualquer inconsistência, o sistema pode interromper o pagamento imediatamente.

    Essa fiscalização contínua faz com que qualquer pessoa possa ser analisada a qualquer momento, mesmo sem ter feito atualização recente ou solicitação.

    Quem tem mais chance de cair na revisão

    Embora o processo seja amplo, alguns perfis entram com mais frequência na mira do sistema. Entre eles estão pessoas com cadastro antigo, renda variável, registros unipessoais e possíveis vínculos de trabalho não informados.

    Esses casos são considerados mais suscetíveis a divergências nos dados.

    O que pode acontecer com o benefício

    Ao identificar irregularidades, o governo pode aplicar diferentes medidas, dependendo da situação.

    O bloqueio é a etapa inicial, funcionando como um alerta para que o beneficiário atualize os dados. Já a suspensão mantém o pagamento retido por mais tempo. Em casos mais graves ou sem regularização, o benefício pode ser cancelado.

    Principais motivos de corte

    Entre os fatores que mais levam ao pente-fino estão renda acima do limite permitido, falta de atualização no Cadastro Único e mudanças na composição familiar que não foram informadas.

    Outro ponto importante são os indícios de renda incompatível, como movimentações financeiras acima do declarado ou atividades não registradas oficialmente.

    Como evitar problemas

    A melhor forma de continuar recebendo o benefício é manter as informações sempre atualizadas. Mudanças como novo emprego, alteração de endereço ou entrada e saída de pessoas na família devem ser comunicadas imediatamente.

    Mesmo sem alterações, o cadastro precisa ser atualizado a cada dois anos para evitar bloqueios automáticos.

    Também é essencial acompanhar o status do benefício pelos canais oficiais e manter documentos organizados para eventuais comprovações.

    Por que o governo intensificou a fiscalização

    O aumento do controle faz parte de uma estratégia para reduzir fraudes e garantir que os recursos públicos sejam destinados corretamente.

    Com milhões de brasileiros atendidos por programas sociais, o governo busca tornar o sistema mais eficiente, utilizando tecnologia para identificar irregularidades com mais rapidez.

    Com isso, o pente-fino de 2026 se torna mais rigoroso e automático, exigindo maior atenção dos beneficiários para evitar cortes inesperados.

    Pente-fino do INSS pode cortar benefício sem aviso; veja se está na lista

    Fonte: Gazeta Mercantil